A esperança de encontrar sobreviventes em meio aos escombros

29/06/2026
A esperança de encontrar sobreviventes em meio aos escombros na Venezuela diminui pouco a pouco, dizem membros das equipes de resgate na linha de frente das operações neste que é o quarto dia após os fortes terremotos que atingiram a costa do país caribenho.
“Nossa prioridade segue sendo encontrar o máximo de pessoas vivas, mas neste sábado já era claro que só encontraríamos cadáveres”, diz à reportagem a venezuelana Andy, que lidera a logística do grupo mexicano Topos Aztecas, enviado para ajuda.
O grupo trabalhou em Caracas até aqui e agora se aproxima do epicentro da crise, a cidade costeira de La Guaira, atrás do majestoso El Ávila, região montanhosa que é orgulho dos caraquenhos.
Em três dias de trabalhos de resgate no histórico edifício Petúnia, que desabou, a equipe resgatou oito corpos. Calcula-se que ao menos outros seis estejam ali. O único encontrado vivo foi um cachorrinho. “Agora já sabemos que a chance de encontrar vivos é de 1%, e então nós apegamos a esse 1%”, diz David Villa, outro membro do grupo.
“Ainda assim, para nós é igualmente importante resgatar os corpos, para que as famílias tenham dignidade e possam estar com seus entes queridos”, prossegue Andy, que se dirige a La Guaira em meio à chuva na região, um fator que pode complicar o trabalho de buscas.
Segundo o último balanço divulgado pelo regime de Delcy Rodríguez, há ao menos 1.450 mortos e mais de 3.200 feridos (número anterior informado pelo ministro da Saúde falava em pelo menos 4.300 feridos). Além disso, mais de 3.000 famílias estão desalojadas, e o número de desaparecidos ultrapassa os 50 mil segundo estimativa da ONU.
Após as 72 horas iniciais que eram críticas para encontrar sobreviventes, a ajuda humanitária também tem se reestruturado. A dificuldade é compreender as diferentes necessidades em diferentes regiões.
Como no Brasil, venezuelanos usam muito o WhatsApp. Nas mensagens instantâneas, são divulgados os itens que voluntários mapeam como prioritários: entre tantas outras coisas, algumas das necessidades imediatas são colírio, porque há muitas cinzas e fumaça em meio aos destroços, e máscaras faciais, por segurança e porque o odor de corpos em decomposição é pungente.
Coordenadora de comunicação das ONGs Alimenta la Solidaridad e MiConvive, Claudia Astor explica que há dez anos as organizações se dedicam a ajudar os comedores, os locais que oferecem alimentação à população de baixa renda. Agora destinaram todos os seus esforços para a tragédia de La Guaira, como os terremotos têm sido chamados.
A ONU calcula que há mais de 6,7 milhões de afetados em toda a Venezuela, de alguma maneira, pelo desastre natural. O trabalho de ajuda é sem fim.
Mas a logística também é complicada. Acessar La Guaira está cada vez mais difícil. Para não prejudicar as buscas e o translado humanitário, o regime proibiu o acesso à área para quem não tem o chamado salvo-conduto.
É difícil encontrar um venezuelano em Caracas que não conheça ao menos uma vítima da tragédia. Ou um desaparecido, que com a esperança que aos poucos se esvai de encontrar sobreviventes já começa a ser considerado mais uma potencial morte.
Caracas, no entanto, ainda opera de forma funcional. Não há relatos de desabastecimento. As regiões mais afetadas, nas quais caíram prédios e onde há estruturas comprometidas, são de classe média alta, como Altamira e Los Palos. Há forte presença policial. Nos postos de gasolina, avisos mostram as fotos de desaparecidos e deixam informações para contato; outros disponibilizam linhas para contato de informações e redes de hospitais.
Cada vez mais voluntários e membros da enorme diáspora venezuelana chegam ao país, ainda que em uma logística altamente complicada. Com o colapso do aeroporto central, na Grande Caracas, os três principais aeroportos de acesso estão em zonas mais afastadas: Maracaibo, antigo coração petroleiro; Valência, antigo coração industrial; e Barcelona, a seis horas por terra de Caracas. Os voos estão lotados de venezuelanos do exílio que querem estar com a família neste momento e ajudar ao país.
A lembrança já está no aviso sonoro da aeronave que parte do Panamá com destino a Barcelona: “Aos que viajam para estar com seus entes queridos. Aos que viajam para reconstruir e resgatar. Desejamos a vocês força. Há coisas que não podem ser destruídas, como a força de um povo. Força ao grande povo da Venezuela.”
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Motorista morre após colisão com carreta no Anel Viário

27/06/2026

Um motorista morreu na noite de quinta-feira (25) após o carro que conduzia ficar preso sob uma carreta bitrem do tipo tanque no Anel Viário, próximo ao setor Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. Segundo a investigação da Polícia Civil, os dois veículos seguiam no mesmo sentido quando houve a colisão durante a passagem por uma rotatória. As informações preliminares indicam que o automóvel trafegava pelo acostamento e entrou no ponto cego lateral da carreta. Com o impacto, o veículo ficou imprensado entre o caminhão e um poste.

Nos vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver a gravidade do impacto. O carro ficou preso sob o tanque do veículo de carga, que pertence a uma distribuidora de combustíveis. Apesar dos avisos de risco de líquido inflamável nas laterais do caminhão, não há confirmação sobre o que era transportado no momento da colisão. Pessoas que passavam pelo local e testemunhas tentaram ajudar na retirada da vítima das ferragens antes da chegada das equipes de resgate.

O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) foi acionado para o atendimento de uma vítima presa às ferragens na Avenida Liberdade. No local, as equipes confirmaram a gravidade da colisão e iniciaram o trabalho de desencarceramento com apoio do SAMU, que já realizava os primeiros atendimentos médicos.

Após a retirada da vítima, os socorristas seguiram com os protocolos de reanimação, mas a morte foi confirmada ainda no local.

O motorista do caminhão permaneceu no local, acionou o socorro e realizou o teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para ingestão de álcool. Ele não sofreu ferimentos.

Os nomes da vítima e do condutor da carreta não foram divulgados. A Polícia Científica realizou a perícia no local e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.

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Homem é agredido por policial militar dentro de casa em Simolândia

27/06/2026

Um homem de 55 anos, identificado como Donizethe Presilino de Oliveira, foi agredido na tarde de quinta-feira (25) por um policial militar, em Simolândia, no interior de Goiás. A violência aconteceu dentro da casa da vítima. Após uma conversa na área externa da residência, o policial desferiu tapas no homem, fazendo com que ele caísse no chão, enquanto familiares e testemunhas tentaram conter a ação.

Em decorrência das agressões, Donizethe sofreu uma lesão na coluna e precisou ser encaminhado a Goiânia para avaliação especializada. De acordo com familiares, os médicos alertaram para o risco de perda dos movimentos dos braços e das pernas em razão da gravidade da lesão.

Segundo os parentes, Donizethe não estava armado, não ofereceu resistência e apenas se afastou do policial antes de ser agredido. Eles afirmam ainda que a esposa havia acionado a Polícia Militar apenas para auxiliá-la em uma discussão doméstica, após o homem chegar em casa alcoolizado.

Versão dos policiais

Em boletim de ocorrência, os policiais relataram que, durante a abordagem, o homem desacatou os militares com xingamentos, afirmando que “na sua casa polícia vagabundo nenhum entra”. Ainda segundo a corporação, Donizethe resistiu à intervenção policial, tornando necessário o uso moderado da força para contê-lo.

O documento também afirma que a vítima teria empurrado os militares e rasgado a manga do uniforme de um deles.

A Polícia Militar de Goiás (PMGO) informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos agentes envolvidos. O caso também foi encaminhado à Corregedoria da corporação, que analisará as imagens e os demais registros para verificar a conduta dos policiais e adotar as medidas cabíveis.

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